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Esta iniciativa consite em ações que possibilitem momentos de reflexão e construção pedagogica, abrangendo ainda propostas significativas para a prática cotidiana do educadores. De acordo com o contexto escolar e vivências as ideias e sugestões podem ser adequadas as necessidades reais nas expectativas de educadores e educandos

21/04/2013

Rotina e aprendizagens no berçário

Conheça o projeto desenvolvido pela professora Sílvia Ulisses de Jesus, uma das vencedoras do Prêmio Victor Civita 2010. Atuando na creche, uma etapa ainda muito pautada pelo assistencialismo, a professora conseguiu articular as duas dimensões mais importantes da Educação Infantil: o cuidar e o educar.

Educação Infantil> Creche - 0 a 3 anos> Identidade e autonomia


PROJETO
Creche: espaço de aprendizagem


Sílvia Ulisses de Jesus conseguiu articular as duas dimensões mais importantes da Educação Infantil: o cuidar e o educar. Para auxiliar os bebês a se conhecer e a explorar o mundo, ela planejou um conjunto completo de atividades: desenho, pintura, interação com o espelho e um tapete de sensações, músicas e imitação de gestos, movimentação pela sala e experimentação de sabores. Sílvia também aproveitou as oportunidades de educar nas atividades rotineiras, como a hora do banho, e estreitou o contato com as famílias, mostrando que a creche é um espaço de aprendizagem.





A adaptação ao berçário

No projeto 'Creche: Espaço de Aprendizagem', a educadora  fez um registro de todas as experiências de aprendizagem fundamentais para as crianças no berçário. Ela intercala anotações teóricas a registros práticos sobre o desenvolvimento de cada um dos bebês, em álbuns personalizados. Acima,  destaca o passo a passo para a adaptação dos pequenos.


Como Mateus adaptou-se

No álbum de Mateus, Silvia destaca a dificuldade dos primeiros momentos do menino no berçário, quando ele chorava e sentia falta da mãe. A educadora observa cada etapa da adaptação do bebê e registra no álbum.





As teorias do movimento

Nesta etapa do registro, Silvia aborda o desenvolvimento da capacidade dos bebês em reconhecer partes do corpo, sustentar-se sentados e depois em pé, até que desenvolvam formas de locomoção, como engatinhar, por exemplo.




A entrada no mundo da linguagem

Silvia teoriza sobre as diferentes linguagens a que os bebês precisam ter acesso, desde os primeiros meses de vida. Fala do desenvolvimento da oralidade e da linguagem corporal - seja pelos movimentos, imitações, gestos ou sinais emitidos pelos pequenos.




Conhecer diferentes linguagens

A educadora observa a capacidade do bebê em sorrir, chorar ou balbuciar quando demanda algo. Ela registra todos os avanços no álbum de Mateus e complementa o portfólio com fotos dos desafios propostos ao menino.

Primeiros contatos com a linguagem artística

Desde o primeiro ano, Silvia estimula as crianças para que tenham contato com a linguagem artística. Na foto, Mateus ensaia os primeiros 'desenhos', ao utilizar materiais seguros, em uma superfície plana, sob a orientação da educadora.



O comportamento alimentar de Mateus

A educadora observa o cotidiano de Mateus no berçário e registra os hábitos alimentares do garoto no álbum. Ela sabe exatamente de quais alimentos o menino gosta e conhece os motivos que fazem com que ele alimente-se bem ou não.



Experimentações

Silvia reuniu os bebês em um grupo, para que todos experimentem diferentes alimentos. Uma boa atividade para divertir e socializar os pequenos. Observe o cuidado com as mamadeiras, individuais e diferentes, para facilitar a identificação.




Hora do banho

Além de destacar a importância deste momento de higiene, Silvia aproveita a hora do banho para estimular diferentes sensações nos bebês, como explorar o próprio corpo ou aproveitar o contato com diferentes materiais e superfícies, tornando este momento uma grande e agradável brincadeira.



A importância do sono

Silvia destaca a importância dos momentos de sono na rotina do berçário. Ela sabe que a hora da soneca, assim como os rituais de ninar, variam entre os bebês. A educadora conhece bem cada um dos 12 bebês de quem cuida, No caso de Mateus, ela registra a necessidade de embalá-lo no carrinho para que ele durma bem.

Soninho bom...

Acima, Mateus dorme no berço. Manter objetos com significados especiais para o bebê, como a chupeta ou uma cobertinha, ajuda a garantir um sono tranquilo para os pequenos.


Tapete de sensações

Silvia confeccionou um grande painel de sensações afixado na parede do berçário. Cada elemento do 'tapete' acima possui uma textura diferente e alguns até emitem sons quando tocados. O objetivo é que os bebês entrem em contato com diferentes sensações. Um estímulo aos sentidos.


Caixa de sensações

Esta é uma das caixas de sensações das crianças da creche. Dentro dela são guardados objetos de estímulo aos diferentes sentidos, como chocalhos, bonecos, sachês e móbiles, confeccionados pela educadora junto das crianças - uma boa atividade para fazer com que os pequenos tenham contato com a linguagem artística e visual.

Chocalhos

Garrafas pet em miniatura servem como suporte para a confecção de chocalhos. Em um deles, Silvia colocou areia e no outro, grãos de milho. As garrafas foram bem sedadas, para evitar acidentes, e decoradas com tinta colorida, com a ajuda das crianças.


Móbile

Utilizando um CD antigo, Silvia propôs a criação de um móbile individual, com a foto de cada criança. Acima, o móbile de Mateus.




Cheirinhos

O olfato é outro sentido que precisa ser amplamente explorado desde o berçário. Por isso, a educadora confeccionou dois sachês - um com cravos e outro com canela. Ambos foram embalados em pedaços de tule e bem amarrados com fitas de cetim, para evitar que as crianças levassem à boca as partes pequenas.


RESUMO DO PROJETO

Atuando na creche, uma etapa ainda muito pautada pelo assistencialismo, a professora Sílvia Ulisses de Jesus conseguiu articular as duas dimensões mais importantes da Educação Infantil: o cuidar e o educar.
Para auxiliar os bebês a se conhecer e a explorar o mundo, ela planejou um conjunto completo de atividades: desenho, pintura, interação com o espelho e um tapete de sensações, músicas e imitação de gestos, movimentação pela sala e experimentação de sabores.
Sílvia também aproveitou as oportunidades de educar nas atividades rotineiras. A hora do banho, por exemplo, transformava-se no momento de conversar com os pequenos, de se aproximar pelo toque, de descrever o que iria fazer ("Vamos lavar os seus pés agora") e de cantar músicas.
Com um contato estreito com as famílias, a professora mostrava que a creche não era só um lugar para deixar as crianças durante o trabalho, mas principalmente um espaço de aprendizagem. "Graças a muito estudo, consegui criar condições favoráveis para que os pequenos se desenvolvam", conta ela.



Na rotina planejada, o espaço para aprender 

O cotidiano de uma creche tem de contemplar muitas propostas de trabalho: é preciso coordenar atividades de sala, das brincadeiras aos cuidados, garantindo momentos de aprendizagem de modo articulado. Por isso, o planejamento é fundamental. Programar-se de modo minucioso, levando em conta as particularidades de cada criança e se mantendo atento ao que ocorre à sua volta, é a melhor forma de garantir que os pequenos aprendam em grupo.

A professora Sílvia Ulisses de Jesus, da UMEI Pedreira Padre Lopes, em Belo Horizonte, sabia da importância de um trabalho com essas características ao elaborar o projeto Creche: Espaço de Aprendizagem, com o qual foi eleita Educadora do Ano no Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10, em 2010 (leia o quadro na última página).

Ela investiu num planejamento detalhado, feito ao longo do ano, que previa o desenvolvimento de competências específicas para cada um de seu grupo, formado por crianças de 4 a 18 meses. E obteve resultados: o projeto chamou a atenção dos selecionadores da premiação. "É difícil encontrar professores dessa etapa do ensino que trabalhem com tanta intencionalidade. Esse é o mérito do projeto da Sílvia. O viés assistencialista e a ideia antiquada de que as crianças não têm necessidades específicas ainda fazem com que muitos educadores só se preocupem com o cuidado, deixando a Educação em segundo plano", afirma Beatriz Gouveia, formadora do instituto Avisa Lá, em São Paulo, e responsável pela seleção de projetos da área de Educação Infantil.

Ciente das etapas do desenvolvimento infantil, Sílvia desenvolveu atividades para proporcionar uma multiplicidade de experiências para as crianças, visando fortalecer a autonomia, o conhecimento do corpo, a linguagem oral, a expressão de sensações por meio de falas e gestos e a expressão artística, entre outros.

O planejamento inicial foi feito antes do período de adaptação das crianças. Depois, nessa fase, ela observou as competências de cada um durante as atividades propostas para organizar uma programação. Ao planejar o eixo música, por exemplo, a professora observou como as crianças lidavam com brincadeiras que envolvessem cancões: conseguiam imitar? Participavam de jogos cantados? Se a avaliação mostrava que ainda não eram capazes disso, ela incentivava os pequenos com palmas e com o movimento dos lábios. Os que já estavam mais acostumados com músicas e participavam de rodas eram convidados a tocar instrumentos de brinquedo e variar o repertório musical. No portfólio de cada criança, ela registrava os avanços obtidos. O material servia de subsídio para que ela planejasse os próximos passos e elaborasse atividades desafiadoras.

É fundamental que o cuidado e a Educação caminhem juntos


Trabalhando com crianças em fases de desenvolvimento distintas, a professora Sílvia pensou nas especificidades de cada faixa etária. Os objetivos de aprendizagem para os pequenos de 4 a 8 meses eram diferentes daqueles pensados para os de até 12 meses e também para os com mais de 1 ano de idade.

A cada avanço, um novo desafio era proposto. Enquanto os mais novos eram estimulados a olhar no espelho para ampliar a consciência de si, por exemplo, os maiores, de 12 a 18, eram convidados a identificar os colegas e a si próprios em fotos. Quando a brincadeira envolvia explorar melecas e tintas, o desafio era incrementar novas cores e texturas, colocando areia para a mistura ficar mais áspera ou água para ficar mais diluída, por exemplo, a fim de proporcionar novas experiências (leia a atividade permanente). "Cada atividade desenvolve uma competência, e isso não ocorre da mesma maneira com todos. Por isso, é importante planejar pensando nas especificidades de cada um do grupo. Não dá para fazer uma lista única de objetivos para todas as crianças", explica Pryscilla Sugarawa, coordenadora pedagógica da ONG Ação Comunitária, em São Paulo.

Não era apenas nesses momentos de pintura ou brincadeira, porém, que o aprendizado ocorria. No banho, por exemplo, era hora de trabalhar o reconhecimento do corpo, com falas que estimulassem a criança e estreitassem os laços entre ela e a educadora. "Dizer que vai lavar o pé e a cabeça e anunciar as ações que vai realizar, sempre olhando no olho da criança, é essencial na construção de vínculos. Isso precisa ser estimulado sempre, até nas situações que parecem mais corriqueiras, mas que são importantes para que ela amplie seu conhecimento de mundo", explica Maria Cecília da Silva, doutora em Psicologia Clínica e docente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). Para que o cuidar e o educar caminhem juntos, é importante que a família participe e compreenda os objetivos do planejamento. Quando começou o trabalho, Sílvia notou que o relacionamento com as famílias poderia ser enriquecedor para as atividades realizadas na creche e, principalmente, para o desenvolvimento das competências dos bebês.

Na reunião inicial, ela buscou mais informações sobre cada criança, conversando em grupo e depois individualmente, e procurou entender as especificidades de cada um. O que eles comiam? Como dormiam? Andavam ou engatinhavam? Tinham objetos de apego? As respostas embasaram o planejamento.

Estabelecer um contato frequente com os pais, porém, foi difícil. A maior parte dos familiares trabalhava muito e não comparecia às reuniões, alegando falta de tempo. Eles enxergavam a creche como um espaço para deixar os filhos enquanto não podiam tomar conta deles, não como um ambiente favorável à aprendizagem. Por isso, a professora se aproximou dos pais ainda na fase da adaptação. Aproveitando a presença deles na creche durante esse período, ela conversou individualmente com todos para conhecer os hábitos de cada família e reforçou a importância da participação de todos nas reuniões.

O registro dos avanços de cada criança é passado aos pais


O contato teve continuidade ao longo do ano, com diários e portfólios, além de reuniões periódicas, nas quais Sílvia aproveitava para explicar, com linguagem clara e acessível, as fases do desenvolvimento das crianças e o que ela esperava avançar com cada uma. "Tirava fotos de tudo e mostrava nas reuniões, desde um bebê segurando a colher na hora do almoço até as brincadeiras monitoradas, explicando o que faziam e, principalmente, o porquê das atividades realizadas na creche", explica ela.

Essa estratégia trouxe avanços visíveis. As famílias passaram a participar mais ativamente: ao fim de cada semana, levavam o diário do seu filho para casa. No início da semana seguinte, esses registros eram devolvidos à professora, com relatos de todas as experiências em casa: um havia provado uma fruta nova e outro que ficado em pé se apoiando na parede e até quem estivesse com gripe. Tudo era considerado pela professora para entender mudanças comportamentais cotidianas, como alterações no sono, falta de apetite e vontade de brincar com os colegas. Essas informações eram inseridas no planejamento, de modo que a educadora podia reavaliar a rotina de atividades de acordo com as mudanças e avanços alcançados por cada criança. "Se o profissional tem esse material, consegue se reorganizar e continuar seguindo com seus objetivos", afirma Pryscilla.

Os erros mais comuns


Não participar da rotina de cuidados.
Além de planejar as atividades pedagógicas, é preciso também programar os momentos de banho, trocas, alimentação e sono das crianças e participar deles. Isso é essencial para o desenvolvimento de vínculos.

Adjetivar as crianças nas conversas com os pais.
Dizer a eles que a criança é muito bagunceira ou briguenta pode levar a conceitos equivocados e rotulá-la no grupo e na família. É necessário lembrar que, nessa faixa etária, as mordidas e o choro também são maneiras de se comunicar com o mundo.

Programar a rotina com base nas necessidades dos adultos e não das crianças.
Ao montar atividades com brincadeiras, por exemplo, é importante observar a medida correta para não excitar demais a criança e levá-la ao cansaço. Também não vale deixá-la dormindo o dia todo. O ideal é observar suas características pessoais e, com base nisso, rever o planejamento.

2 comentários:

  1. OI tudo bem Sílvia!!!
    Adorei muito o seu trabalho e sou uma admiradora,mais uma vez parabéns e tudo de bom para você em 2014.
    Eu sou professora de berçário gostaria se fosse possível me enviasse um
    modelo ou passo a passo do portfólio para berçário sobre estimulação.
    Obrigada

    O meu email é ritaelainebarroscorrea@hotmail.com

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  2. Preciso de sugestões de atividades para creche 1,nao tenho experiência com essa faixa etária, fico grata desde ja, meu email prado.regina09@hotmail.com

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