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Esta iniciativa consite em ações que possibilitem momentos de reflexão e construção pedagogica, abrangendo ainda propostas significativas para a prática cotidiana do educadores. De acordo com o contexto escolar e vivências as ideias e sugestões podem ser adequadas as necessidades reais nas expectativas de educadores e educandos

6 de fev de 2013

Não devemos julgar os outros...



O CASO MIGUEL: Não devemos julgar os outros


Relato do padeiro:
Esse menino não é muito certo da bola não. Ás vezes, cumprimenta a gente, outras vezes parece que nunca me viu. Tem dias até que puxa um dedinho de prosa comigo, e ainda faz comentários do jogo da véspera. Quando procuro por ele, para continuar o assunto, já não está mais lá. Ontem chegou aqui de cara amarrada, com os olhos vermelhos!…
Não sei, não!… Acho que ele se droga…
Pediu 1 litro de leite e 2 pãezinhos e se mandou. Ele é muito esquisito!!! Coitada da mãe dele!!! Deve sofrer!!!



Relato da mãe:
Naquela manhã, Miguel acordou cedo, não quis tomar café. Nem ligou para o bolo que eu havia feito especialmente para ele. Não quis vestir o casaco que eu lhe dei. Disse que estava com pressa e reagiu com impaciência aos meus pedidos para que se alimentasse e se agasalhasse! Ele continua uma criança que precisa de cuidados o tempo todo. Ele já tem 14 anos, mas não tem noção do que é bom para ele.


Relato do Trocador de Ônibus:
Naquela manhã de sábado, entrou no ônibus um rapaz com toda a pinta de pivete. Cara fechada, de mal com o mundo, meio nervoso. Fiquei de olho nele, esperando que assaltasse alguém. Levava uma sacola de plástico com, provavelmente, aquilo que ele já havia roubado antes. Olhava o tempo todo para o relógio, como se estivesse admirando o que roubou. Essa juventude de hoje!!! O mundo está mesmo perdido!!! Fiquei aliviado quando ele desceu, sem ter conseguido assaltar ninguém. Também pudera!!! Ele sentia que eu estava o tempo todo de olho nele!!!



Relato do vendedor do Mc Donald’s:
Logo de manhã, apareceu um garoto quando ainda estávamos abrindo a loja… Parecia um doido! Queria, por que queria que tudo parasse e ele fosse logo atendido. Queria o hambúrguer para ontem! Ora! Como se eu fosse o empregado dele! Não era muito normal, não! Ficava andando de um lado para o outro, olhando o relógio, falando sozinho…!


Relato do porteiro:
Esse garoto está sempre afobado! Fala com a gente e mastiga o sanduíche ao mesmo tempo!! Engraçado que está sempre atrás do mesmo garoto! “Cadê o Carlos? Você viu o Carlos? Pra onde foi o Carlos?” Ih, não sei não! Não é coisa boa!




Relato do faxineiro:
Ah! Eu sabia! Não é de hoje que eu desconfiava desse moleque!! Peguei ele no flagra!!!
Desde que me falaram que tem gente roubando coisas no vestiário, eu fiquei de olho, né? Ninguém presta atenção num faxineiro… Então fica mais fácil, e não deu outra!
Como quem não quer nada, eu estava lá enrolando na limpeza do vestiário, varrendo, mas prestando muita atenção no movimento. Foi quando entrou aquele garoto, olhando para todos os lados, mais para ver se alguém podia ver o que ele ia fazer… Para ele, eu não existia, seu olhar passava direto por mim. Quando ele tirou as chuteiras roubadas do saco plástico, eu não tive dúvida! Comecei a gritar!!!
Socorro, ladrão!! Pega ladrão, pega ladrão!!!


Versão do Miguel: “Eu só penso em futebol. Fico pensando, a semana inteira, nas peladas do final de semana, nos treinos que eu assisto, do meu timão do coração, lá na Gávea. Zico é o meu maior ídolo! Ninguem sabe o que aconteceu, ontem, lá na Gávea, meu amigo Carlos veio me avisar que o próprio Zico estaria lá, no dia seguinte, testando a galera para formar como jogador de futebol no seu time. Fique logo ansioso e lógico que eu queria ser testado também, né!? perguntei pro Carlos se eu podia comparecer e ele disse que era só chegar com chuteiras, (óbvio), cópia da certidão de nascimento e 1 retrato. E, principalmente que chegasse na hora certa, sem me atrasar, por que o Zico é rigoroso pacas quanto ao horário.
Meu irmão, nem dormi direito esta noite. Acho que era ansiedade, dormi mal pra caramba!!! Fiquei só pensando, imagina ver o Zico de perto, jogar bola com ele, isso é meu sonho! Muito show imagina só, você não está entendendo, o Zico como meu treinador, isso é demais!
Ao me levantar, depois de uma noite horrível, fui comprar o leite e o pão para a mamãe. Detesto chegar na padaria do Seu Manoel e ver, sempre, aquela gente se “empurrando” na fila tão cedo. Acho até que nem foram pra casa dormir ainda! Quando eu chego lá e esse pessoal está lá também, compro tudo e saio fora rapidinho. Eu gosto do Seu Manoel, pena que ele não pode escolher pra quem vai vender, até por que ele precisa ganhar dinheiro. Mas não acho legal essa galera que só fica bebendo. Quando está vazio até dou uma parada pra trocar uma idéia com ele, mas isso é tão raro!
Deixei o leite e o pão na cozinha. Peguei minhas chuteiras e corri pra não me atrasar. Ouvi a mamãe resmungando pra comer bolo e botar o casaco com o maior sol lá fora, e eu nem estava visando comer em casa, sou mais o Mac Donald’s do que o bolo. Coitadinha! Ela sempre faz esse bolo, mas é que hoje estou com pressa mesmo!
O ônibus, pra variar, demorou muitíssimo! Já estava nervoso! Amigo, se houver trânsito, não vai nem dar pra eu comer alguma coisa. Tenho até medo de passar mal no treino. Eu estava tão ansioso que toda hora olhava no relógio, como se pudesse parar o tempo.
Finalmente desci do ônibus e deu tempo de lanchar. Fui ao Mac Donald’s ali do lado, rezando pra ser servido logo, por que eu não podia me atrasar. O pior de tudo é que o único vendedor, naquela hora, era muito mole! Acho até que estava fazendo de propósito para me deixar mais nervoso.
Ufa! Consegui chegar no clube na hora! Perguntei para o porteiro se ele havia visto Carlos, meu amigo. Ele disse que ele já tinha chegado e que devia estar no vestiário. Fui rapidinho pra lá, olhando para todos os lados, vendo se encontrava Carlos. Entro no vestiário e só quem estava lá dentro era aquele faxineiro fofoqueiro que não simpatizo. Esta sempre rondando, parece um carrapato pegajoso!… Adora adular o pessoal! Deve achar que vai levar uma graninha com isso. Mas aí quando resolvi me trocar e procurar Carlos depois, o faxineiro começou a gritar: – Socorro! Ladrão! Pega ladrão! Nem sei qual foi, mas quando fui ver ele estava apontando pra mim! Que sufoco! Entrei em enrascada, mas consegui provar que era inocente.
Finalmente, o incidente saiu melhor que a encomenda. Zico soube do ocorrido, e cada vez que me olhava começava a rir, imaginando a situação. “E foi assim que fui notado e consegui ficar entre os escolhidos.”
Por fim, comentar a estória falando sobre a questão do julgamento. Nós temos muita facilidade para julgar os outros, mas não devemos fazer isto por que não sabemos o que se passa na vida das outras pessoa

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