Introdução
O livro “A Importância do Ato de Ler” de Paulo Freire, relata os aspectos da biblioteca popular e a relação com a alfabetização de adultos desenvolvida na República Democrática de São Tomé e Príncipe.
Ao mesmo tempo, nos esclarece que a leitura da palavra é precedida da leitura do mundo e também enfatiza a importância crítica da leitura na alfabetização, colocando o papel do educador dentro de uma educação, onde o seu fazer deve ser vivenciado, dentro de uma prática concreta de libertação e construção da história, inserindo o alfabetizando num processo criador, de que ele é também um sujeito.
1 - a importância do ato de ler
Segundo Paulo Freire a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra. O ato de ler se veio dando na sua experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo do pequeno mundo em que se movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo da sua escolarização, foi a leitura da “palavra mundo”. Na verdade, aquele mundo especial se dava a ele como o mundo de sua atividade perspectiva, por isso, mesmo como o mundo de suas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto em cuja percepção experimentava e, quando mais o fazia, mais aumentava a capacidade de perceber se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão ia aprendendo no seu trato com eles, na sua relação com seus irmãos mais velhos e com seus pais.
A leitura do seu mundo foi sempre fundamental para a compreensão da importância do ato de ler, de escrever ou de reescrevê-lo, e transformá-lo através de uma prática consciente.
Esse movimento dinâmico é um dos aspectos centrais do processo de alfabetização que deveriam vir do universo vocabular dos grupos populares, expressando a sua real linguagem, carregadas da significação de sua experiência existencial e não da experiência do educador.
A alfabetização é a criação ou a montagem da expressão escrita da expressão oral. Assim as palavras do povo, vinham através da leitura do mundo. Depois voltavam a eles, inseridas no que se chamou de codificações, que são representações da realidade. No fundo esse conjunto de representações de situações concretas possibilitava aos grupos populares uma “leitura da leitura” anterior do mundo, antes da leitura da palavra. O ato de ler implica na percepção crítica, interpretação e “re-escrita” do lido.
1.1 - Alfabetização de Adultos e Biblioteca Populares: Uma introdução
Para Paulo Freire falar de alfabetização de adultos e de biblioteca populares é falar, entre muitos outros, do problema da leitura e da escrita. Não da leitura de palavras e de sua escrita em si próprias, como se lê-las e escrevê-las, não implicasse uma outra leitura da realidade mesma, para aclarar o que chama de prática e compreensão crítica da alfabetização.
Do ponto de vista crítico é tão impossível negar a natureza política do processo educativo quanto negar o caráter educativo do ato político. Quanto mais ganhamos esta clareza através da prática, mais percebemos a impossibilidade de separar a educação da política e do poder.
A relação entre a educação enquanto subsistema e o sistema maior são relações dinâmicas contraditórias. As contradições que caracterizam a sociedade como está sendo, penetram a intimidade das instituições pedagógica em que a educação sistemática se está dando e alterando o seu papel ou o seu esforço reprodutor da ideologia dominante.
O que temos de fazer então, enquanto educadoras ou educadores, é aclarar assumindo a nossa opção que é política, e ser coerentes com ela na prática.
A questão da coerência entre a opção proclamada e a prática é uma das exigências que educadores críticos se fazem a si mesmos. É que sabem muito bem que não é o discurso o que ajuíza a prática, mas a prática que ajuíza o discurso. Quem apenas fala e jamais ouve; quem “imobiliza” o conhecimento e o transfere a estudantes, quem ouve o eco, apenas de suas próprias palavras, quem considera petulância a classe trabalhadora reivindicar seus direitos, não tem realmente nada que ver com a libertação nem democracia.
Pelo contrário, quem assim atua e assim pensa, consciente ou inconsciente, ajuda a preservação das estruturas autoritárias.
Só educadoras e educadores autoritários negam a solidariedade entre o ato de educar e o ato de ser educado pelos educandos.
Uma visão da educação é na intimidade das consciências, movida pela bondade dos corações, que o mundo se refaz. É, já que a educação modela as almas e recria corações ela é a alavanca das mudanças sociais.
Se antes a transformação social era entendida de forma simplista, fazendo-se com a mudança, primeiro das consciências, como se fosse a consciência de fato, a transformadora do real, agora a transformação social é percebida como um processo histórico.
Se antes a alfabetização de adultos era tratada e realizada de forma autoritária, centrada na compreensão mágica da palavra doada pelo educador aos analfabetos; se antes os textos geralmente oferecidos como leitura aos alunos escondiam a realidade, agora pelo contrário, alfabetização como ato de conhecimento, como um ato criador e como ato político é um esforço de leitura do mundo e da palavra. Agora já não é possível textos sem contexto.
A alfabetização de adultos e pós-alfabetização implicam esforços no sentido de uma correta compreensão do que é a palavra escrita, a linguagem, as relações com o contexto de quem fala, de quem lê e escreve, compressão, portanto da relação entre “leitura” do mundo e leitura da palavra. Daí a necessidade que tem uma de biblioteca popular, buscando o adentramento crítico no texto, procurando aprender a sua significação mais profunda, propondo aos leitores uma experiência estética, de que a linguagem popular é inteiramente rica.
A forma com que atua uma biblioteca popular, a constituição do seu acervo, as atividades que podem ser desenvolvidas no seu interior, tudo isso tem que ser como uma certa política cultural.
Se antes raramente os grupos populares eram estimulados a escrever seus textos, agora é fundamental fazê-lo, desde o começo da alfabetização para que, na pós-alfabetização, se vá tentando a formação do que poderá vir a ser uma pequena biblioteca popular com a inclusão de páginas escritas pelos próprios educandos.
1.2 - O Povo diz a sua Palavra ou a Alfabetização em São Tomé e Príncipe
Segundo Freire com a alfabetização de adultos no contexto da República Democrática de São Tomé e Príncipe, a cujo governo vem dando juntamente com Elza Freire, uma contribuição no campo da educação de adultos como assessor, se torna indispensável uma concordância em torno de aspectos fundamentais entre o assessor e o governo assessorado. Seria impossível, por exemplo, dar uma colaboração, por mínima que fosse a uma campanha de alfabetização de adultos promovido por um governo antipopular. Não poderia assessorar um governo que em nome da primazia da “aquisição” de técnicas de ler e escrever palavras por parte dos alfabetizando, exigi-se, ou simplesmente sugerisse que fizesse a dicotomia entre a leitura do texto e a leitura do contexto. Um governo para quem a leitura do concreto, o desenvolvimento do mundo não são um direito do povo, que, por isso mesmo, deve ficar reduzido à leitura mecânica da palavra.
É exatamente este aspecto importante — o da relação dinâmica entre a leitura da palavra e a leitura da realidade em que nós encontramos coincidentes os governos de São Tomé e Príncipes e nós.
Todo esforço que vem sendo feito em São Tomé e Príncipe na prática da alfabetização de adultos como na da pós-alfabetização se orienta neste sentido. Os cadernos de cultura popular vêm sendo usados pelos educandos como livros básicos, com exercícios chamados Praticar para o Aprender. A linguagem dos textos é desafiadora e não sloganizado. O que se quer é a participação efetiva do povo enquanto sujeito, na reconstrução do país, a serviço de que a alfabetização e a pós-alfabetização se acham. Por isso mesmo os cadernos não são nem poderiam ser livros neutros, é a participação crítica e democrática dos educandos no ato de conhecimento de que são também sujeitos. É a participação do povo no processo de reinvenção de sua sociedade, no caso a sociedade são tomense, recém-independente do jugo colonial, que há tanto tempo a submetia.
É preciso, na verdade, que a alfabetização de adultos e a pós-alfabetização, a serviço da reconstrução nacional, contribuam para que o povo, tomando mais e mais a sua História nas mãos, se refaça na leitura da História, estando presente nela e não simplesmente nela estar representado.
No fundo o ato de estudar, enquanto ato curioso do sujeito diante do mundo é expressão da forma de estar sendo dos seres humanos, como seres sociais, históricos, seres fazedores, transformadores, que não apenas sabem, mas sabem que sabem.
O povo tem de conhecer melhor, o que já conhece em razão da sua prática e de conhecer o que ainda não conhece.
Nesse processo, não se trata propriamente de entregar ou de transferir às massas populares a explicação mais rigorosa dos fatos como algo acabado, paralisado, pronto, mas contar, estimulando e desafiando, com a capacidade de fazer, de pensar, de saber e de criar das massas populares.
Na alfabetização pós-alfabetização não nos interessa transferir ao Povofrases e textos para ele ir lendo sem entender. A reconstrução nacional, exigem de todos nós uma participação consciente em qualquer nível, exige ação e pensamento, exige prática e teoria, procurar descobrir de entender o que se acha mais escondido nas coisas e aos fatos que nós observamos e analisando.
A reconstrução nacional precisa de que o nosso Povo conheça mais e melhor a nossa realidade.
2 - análise das idéias do autor
Ao elaborar uma síntese das reflexões sobre o livro “A Importância do Ato de Ler” e as relações da biblioteca popular com a alfabetização de adulto de Paulo Freire, leva-nos a compreensão da prática democrática e crítica da leitura do mundo e da palavra, onde a leitura não deve ser memorizada mecanicamente, mas ser desafiadora que nos ajude a pensar e analisar a realidade em que vivemos. “É preciso que quem sabe, saiba sobre tudo que ninguém sabe tudo e que ninguém tudo ignora” (FREIRE, p.32).
É essencial que saibamos valorizar a cultura popular em que nosso aluno está inserido, partindo desta cultura, e procurando aprofundar seus conhecimentos, para que participe do processo permanente da sua libertação.
“A biblioteca popular como centro cultural e não como um depósito silencioso de livros, é vista como um fator fundamental para o aperfeiçoamento e a intensificação de uma forma correta de ler o texto em relação com o contexto” (FREIRE, p.38).
Nesse sentido a atuação da biblioteca popular, tem algo a ver com uma política cultural, pois incentiva a compressão crítica do que é a palavra escrita, a linguagem, as suas relações com o contexto, para que o povo participe ativamente das mudanças constantes da sociedade.
“O processo de aprendizagem na alfabetização de adultos está envolvida na prática de ler, de interpretar o que lêem, de escrever, de contar, de aumentar os conhecimentos que já têm e de conhecer o que ainda não conhecem, para melhor interpretar o que acontece na nossa realidade” (FREIRE, p. 48).
Isso só conseguimos através de uma educação que estimule a colaboração, que dê valor à ajuda mútua, que desenvolva o espírito crítico e a criatividade: uma educação que incentive o educando unindo a prática e a teoria, com uma política educacional condizente com os interesses do nosso Povo.
Conclusão
Concluímos com a leitura desse livro, nós educadores e educandos para melhorarmos nossa prática devemos começar a avalizar que, a importância do ato de ler, não está na compreensão errônea de que ler é devorar de bibliografias, sem realmente serem lidas ou estudadas. Devemos ler sempre e seriamente livros que nos interessem, que favoreçam a mudança da nossa prática, procurando nos adentrarmos nos textos, criando aos poucos uma disciplina intelectual que nos levará enquanto professores e estudantes não somente fazermos uma leitura do mundo, mas escrevê-lo o reescrevê-lo, ou seja, transformá-lo através de nossa prática consciente.
Sabemos que, se mudarmos nossa disciplina sobre o ato de ler, teremos condições de formar as nossas bibliotecas populares, incentivando os grupos populares e a escrever seus textos desde o início da alfabetização; assim iríamos aos poucos formando acervos históricos escritos pelos próprios educandos.
E através da cultura popular o que se quer é a afetiva participação do povo enquanto sujeito na construção do país, pois quanto mais consciente o povo faça sua história, tanto mais que o povo perceberá, com lucidez as dificuldades que tem a enfrentar, no domínio econômico, social e cultural, no processo permanente de sua libertação.
Páginas
Esta iniciativa consite em ações que possibilitem momentos de reflexão e construção pedagogica, abrangendo ainda propostas significativas para a prática cotidiana do educadores. De acordo com o contexto escolar e vivências as ideias e sugestões podem ser adequadas as necessidades reais nas expectativas de educadores e educandos
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4 de ago. de 2013
18 de mai. de 2013
Análise do livro: Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa
Para Paulo Freire, o ensino é muito mais que uma profissão, é uma missão que exige comprovados saberes no seu processo dinâmico de promoção da autonomia do ser de todos os educandos.
Através desse trabalho Paulo Freire, faz com que os educadores, assumam uma postura crítica e analisem as relações: alunoXprofessor; alunoXpesquisa/conhecimento - professor e alunoXcontexto sócio-político-cultural – professor; buscando que no seu cotidiano educacional, o próprio discurso teórico seja um aliado à sua aplicação prática.
O autor “anuncia a solidariedade enquanto compromisso histórico de homens e mulheres, como uma das formas de luta capazes de promover e instaurar a” “ética universal do ser humano””. (p.11).
A Pedagogia da Autonomia é sem dúvida um manual de procedimentos que servem como pontos orientadores, não só para educação, mas, para uma análise de nossa relação diária com outros seres humanos, já que nos faz refletir sobre a libertação do pensamento de tradições desumanizantes _ porque opressoras.
Capítulo 1 – Não há Docência sem discência
“Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender” (p.23)
. Ensinar Exige ...
. RIGOROSIDADE METÓDICA: “O educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. Uma de suas tarefas primordiais é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se “aproximar” dos objetos cognoscíveis” (p.26).
O educador tem o papel de não apenas ensinar os conteúdos programáticos, “mas também ensinar a pensar certo” (p.27), para que com isso possa estabelecer-se a verdadeira aprendizagem, onde educador e educandos são sujeitos de um processo dinâmico da construção e reconstrução do saber.
. PESQUISA: “Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo” (p.29).
A pesquisa é de suma importância para aquisição de novos conhecimentos, já que vivemos num momento histórico, em que as mudanças ocorrem de uma forma muito dinâmica, logo,
é muito importante que o professor se assuma e perceba que a pesquisa faz parte de sua formação permanente e que ele seja visto como pesquisador.
. RESPEITO AOS SABERES DOS EDUCANDOS: “Por isso mesmo pensar certo coloca ao professor ou, mais amplamente, à escola, o dever de não só respeitar os saberes com que os educandos, sobretudo os da classe populares, chegam a ela saberes socialmente construídos na prática comunitária” (p.30).
O educador que respeita os saberes dos educandos, tem a possibilidade de buscar lado a lado com os educandos, soluções para problemas que fazem parte da realidade social onde os mesmos estão inseridos, como por exemplo: a violência que ocorre nos dias atuais.
. CRITICIDADE: “Na verdade, a curiosidade ingênua que,“desarmada”, está associada ao saber do senso comum, é a mesma curiosidade que, criticizando-se, aproximando-se de forma cada vez mais metodicamente rigorosa do objeto cognoscível, se torna curiosidade epistemológica” (p.31).
Para que se estabeleça essa criticidade, é necessário que a curiosidade nos impulsione em direção dos desafios, e através da criatividade possamos supera-los e acrecentarmos algo a que fazemos.
. ESTÉTICA E ÉTICA: “Mulheres e homens, seres histórico-sociais, nos tornamos capazes de intervir, de escolher, de decidir, de romper, por tudo isso, nos fizemos seres éticos” (p.33).
O educador tem um papel de formar o educando,logo, tendo um papel importante na sua formação moral.
. CORPO REIFICAÇÃO DAS PALAVRAS PELO EXEMPLO: “O professor que realmente ensina, quer dizer, que trabalha os conteúdos no quadro da rigorosidade do pensar certo, nega, como falsa, a formula farisaica do “faça o que eu mando e não faça o que eu faço”. Quem pensa certo está cansado de saber que as palavras a que falta a corporeidade do exemplo pouco ou quase nada vale. Pensar certo é fazer certo” (p.34).
A prática tem que estar condizente com as atitudes do educador, possibilitando assim ao educando, questiona-la, sem que com isto, gere um clima desagradável entre educadorXeducando.
. RISCO, ACEITAÇÃO DO NOVO E REJEIÇÃO A QUALQUER FORMA DE DISCRIMINAÇÃO: “É próprio do pensar certo a disponibilidade ao risco, a aceitação do novo que não pode ser negado ou acolhido só por que é novo, assim com o critério de recusa do velho não é apenas o cronológico” (p.35).
O educador através de um processo dialógico, vai interagir junto com o educando na produção de novos conhecimentos e na clareza dos conceitos, para que seja evitado qualquer tipo de discriminação.
. REFLEXÃO CRÍTICA SOBRE A PRÁTICA: “A prática docente critica, implicante do pensar certo, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer” (p.38).
O educador tem que estar sempre em constante reflexão crítica sobre sua prática, para que seu discurso teórico ande lado a lado com ela, para que ele possa perceber, quando são necessárias mudanças.
. RECONHECIMENTO E ASSUNÇÃO DA IDENTIDADE CULTURAL: “Assumir-se como ser social histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva por que capaz de amar. Assumir-se como sujeito por que capaz de reconhecer-se como objeto. A assunção de nós mesmos não significa a exclusão dos outros” (p.41).
Assumir-se como parte de um processo dinâmico vivo, onde temos o direito a termos emoções e com isto mudarmos a realidade.
“A questão da identidade cultural, de que fazem parte a dimensão individual e a classe dos educandos cujo respeito é absolutamente fundamental na prática educativa progressista, é problema que não pode ser desprezado” (p. 41-42).
O educador tem que participar da inserção do educando no processo da identidade cultural, deixando de se colocar como dono da verdade e do “saber articulado”, para que se possa colocar as instituições sob uma constante análise metódica e com isto, buscar alcançar uma prática educativa progressista autêntica.
Capítulo 2 –Ensinar não é transmitir conhecimento
“Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção” (p.47).
. Ensinar Exige ...
. CONSCIÊNCIA DO INACABAMENTO:” O do inacabamento do ser humano. Na verdade, o inacabamento do ser ou sua inconclusão é próprio da experiência vital. Onde há vida, há inacabamento” (p.50).
Somente os seres humanos têm consciência que somos seres inacabados, entretanto, através dos instrumentos que dispomos: a linguagem, a cultura, a comunicação, etc, devemos buscar uma “espiritualização” do mundo, para que possamos ser considerados como seres éticos e tornarmos-nos capazes de intervirmos no mundo com responsabilidade, buscando no futuro sermos seres menos inacabados.
. RECONHECIMENTO DE SER CONDICIONADO:” Gosto de ser gente porque, como tal, percebo afinal que a construção de minha presença no mundo, que não se faz no isolamento, isenta da influencia das forças sociais, que mão se compreende fora da tensão entre o que herdo geneticamente e o que herdo social, cultural e historicamente, tem muito a ver comigo mesmo” (p.53).
A partir do momento que aceito ser condicionado pelas relações estabelecidas no contexto social, me possibilita estando inserido nesse contexto, através de um processo de conscientização, lutar para não ser mero objeto, mas, ser um sujeito participante de todo esse processo histórico, buscando com isto: “a não conclusão que se reconhece a si mesma implica necessariamente a inserção do sujeito inacabado num permanente processo social de busca” (p.55).
. RESPEITO À AUTONOMIA DO SER DO EDUCANDO:” O respeito a autonomia e a dignidade cada um e um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros” (p.59).
O educador tem que respeitar a autonomia e a identidade do educando, para que ele não seja um “transgressor da natureza humana” (p.60).
. BOM SENSO:” A vigilância do meu bom senso tem uma importância enorme na avaliação que, a todo instante, devo fazer de minha prática” (p.61).
O bom senso me possibilita a estar sempre fazendo uma análise crítica da minha prática, do meu respeito pelo educando, da minha ética, etc.
. HUMILDADE, TOLERÂNCIA E LUTA EM DEFESA DOS DIREITOS DOS EDUCADORES:” A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte” (p.66).
O educador mesmo diante do descaso em que se encontra a educação pública no país, deve estar ciente de ter desenvolvido perante aos educandos: a humildade, a tolerância, o amor, o respeito, etc. Fatores estes, que possibilitaram a aquisição do respeito por partes dos educandos, na sua luta por salários mais dignos, por melhores condições de trabalho, ou seja, por uma “luta política consciente, crítica e organizada contra os ofensores” (p.67).
. APREENSÃO DA REALIDADE:” A capacidade de aprender, não apenas para nos adaptar mas sobretudo para transformar a realidade, para nela investir, recriando-a, fala de nossa educabilidade a um nível distinto do nível do adestramento dos outros animais ou do cultivo das plantas.” (p.68-69).
O educador tem que aprender a realidade onde será feita sua práxis, para que ele possa participar como um agente transformador e possa possibilitar a construção e/ou a reconstrução necessárias, que favoreça o crescimento do educador e do educando.
. ALEGRIA E ESPERANÇA:” O meu envolvimento com a prática educativa, sabidamente política, moral, gnosiológica , jamais deixou de ser feito com alegria, o que significa dizer que tenha invariavelmente podido criá-la nos educandos. Mas, preocupado com ela, enquanto clima ou atmosfera do espaço pedagógico, nunca deixei de estar” (p.72)
Vivemos numa sociedade com tanta desigualdade social, que através da esperança obtemos forças, para enfrentarmos todos os obstáculos, e ficamos muito alegres quando estamos conscientes que estamos inseridos em todo esse processo histórico dinâmico e podemos participar como sujeitos de todos os processos de mudanças, que nos possibilite viver numa sociedade mais justa.
. CONVICÇÃO DE QUE A MUDANÇA É POSSÍVEL:” É o saber da história como possibilidade e não como determinação. O mundo não é. O mundo está sendo” (p.76).
Acreditamos que a mudança é possível, entretanto, precisamos adotar uma postura política-pedagógica, como sujeitos que desejam que essas mudanças ocorram e para isso, devem tomar decisões, devem ter o direito de escolha e de intervenção na realidade, para possibilitar a libertação do oprimido.
. CURIOSIDADE:” Se há uma prática exemplar como negação da experiência formadora é a que dificulta ou inibe a curiosidade do educando e, em conseqüência, a do educador. É que o educador que, entregue a procedimentos autoritários ou paternalistas que impedem ou dificultam a curiosidade do educando, termina por igualmente tolher sua própria curiosidade” (p.84-85).
A curiosidade deve ser estimulada, entretanto, ela não deve invadir a privacidade do outro, é importante que professores e alunos se assumam “epistemologicamente curiosos” (p.86),por que através do exercício da curiosidade podemos: exercitar a imaginação, a capacidade de comparação, as emoções, etc.
Capítulo 3 – Ensinar é uma especificidade humana
“... a autoridade não necessita de, a cada instante, fazer o discurso sobre sua existência, sobre si mesma. Não precisa perguntar a ninguém, certa de sua legitimidade, se” sabe com quem está falando?”. Segura de si, ela é porque tem autoridade, porque a exerce com indiscutível sabedoria” (p.91).
. Ensinar Exige ...
. SEGURANÇA, COMPETÊNCIA PROFISSIONAL E GENEROSIDADE: “O professor que não leve a sério a sua formação, que não estude, que não se esforce para estar a altura de sua tarefa não tem força moral para coordenar as atividades de sua classe... Outra qualidade indispensável à autoridade em suas relações com as liberdades é a generosidade” (p.92).
O educador tem que estar sempre reciclando seus conhecimentos, porque estamos vivendo num momento histórico dinâmico, onde as informações passam por profundas mudanças em curto espaço de tempo, e é necessário que haja segurança na relação entre educador X educando, no momento da transmissão dos conteúdos que necessitam ser aprendidos. Outro aspecto muito importante, é que somente através de um clima de respeito, poderá ser estabelecida uma relação democrática, onde imperem a humildade, a justiça, e a generosidade, entre educadorXeducando, tornando-se possível: a “reinvenção do ser humano no aprendizado de sua autonomia” (p.94).
. COMPROMETIMENTO: “Não posso ser professor sem me pôr diante dos alunos, sem revelar com facilidade ou relutância a minha maneira de ser, de pensar politicamente. Não posso escapar a apreciação dos alunos” (p.96).
É necessário que o educador tenha uma visão crítica, da autenticidade entre o que ele fala e maneira pela qual ele se comporta, assumir perante aos educandos que ele não é o “dono do saber”, logo, as perguntas que ele não tem conhecimento das respostas, através da pesquisa, juntos eles poderão encontrar as respostas, possibilitando com isto, que a aprendizagem tenha um comprometimento solidário entre educadorXeducando, impedindo assim a neutralidade e a fragmentação da educação, aspectos desejados pela ideologia dominante.
O professor tem que deixar transparente para os alunos: a sua capacidade de análise, de opção nas tomadas de decisões, o que entende de avaliação e de que se for necessário, o romper com padrões pré-estabelecidos, para que seja feita justiça em nome de sua ética, em favor dos oprimidos.
. COMPREENDER QUE A EDUCAÇÃO É UMA FORMA DE INTERVENÇÃO NO MUNDO :" Intervenção que além dos conhecimentos dos conteúdos bem ou mal ensinados e/ou aprendidos implica tanto o esforço de reprodução da ideologia dominante quanto o seu desmascaramento” (p.98).
A educação é uma forma de intervenção no mundo, porque ela está presente em todos os momentos de nossa vida: histórico/social/político/econômico.
O educador, entretanto, deverá escolher se colocará sua teoriaXprática, a serviço da elite dominante, fazendo uso de uma práxis articuladora; ou a favor dos oprimidos, adotando uma postura pedagógica-política, que busque a transformação dos seres humanos e do contexto social em que ele está inserido.
. LIBERDADE E AUTORIDADE: “A liberdade amadurece no confronto com outras liberdades, na defesa de seus direitos, em face da autoridade dos pais, do professor, do Estado” (p.105-106).
Para o amadurecimento do ser humano, é necessário que a liberdade seja vivenciada por uma dose de autoridade, o que possibilitará uma análise crítica das conseqüências, quando tivermos de tomar decisões, processo contínuo ao longo de nossas vidas.
. TOMADA CONSCIENTE DE DECISÕES: “Quando falo em educação como intervenção me refiro tanto à que aspira a mudanças radicais na sociedade, no campo da economia, das relações humanas, da propriedade, do direito ao trabalho, à terra, à educação, à saúde, quanto a que, pelo contrário, reacionariamente pretende imobilizar a História e manter a ordem injusta” (p.109).
O educador tem que estar consciente, que a tomada consciente de decisões, torna possível que ocorra transformações; da importância de seu papel político-pedagógico, como agente interventor da realidade, propiciando assim, o respeito aos educandos e aos educadores.
. SABER ESCUTAR: “Se, na verdade, o sonho que nos anima é democrático e solidário, não é falando aos outros, de cima para baixo, sobretudo, como se fôssemos os portadores da verdade a ser transmitida aos demais, que aprendemos a escutar, mas é escutando que aprendemos a falar com eles” (p.113).
Todos nós temos que saber escutar, no caso específico do educador esse processo, possibilita com um contato direto com a realidade vivida pelo educando, a mudança de seu discurso, contribuindo assim para uma melhor aprendizagem.
Para que o educador saiba escutar, ele tem que estar consciente que não é “dono do saber” e que pode:
_ aprender enquanto ouve; motivar o desenvolvimento da curiosidade; exercitar a análise crítica, poder exemplificar a liberdade, demonstrar a necessidade do respeito, ajudar o educando a vencer suas dificuldades; superar preconceitos, observar como é importante a humildade; a generosidade de se colocar no lugar do outro e demonstrar da possibilidade de uma comunicação democrática entre alunoXprofessor.
. RECONHECER QUE A EDUCAÇÃO É IDEOLÓGICA: “Saber igualmente fundamental à prática educativa do professor ou da professora é o que diz respeito à força, às vezes maior do que pensamos, da ideologia” (p.125).
Temos que reconhecer que a educação é ideológica e através do seu discurso ideológico, pode-se ocultar a verdade dos fatos, assim como: manipular os fatos, as coisas, os acontecimentos, gerar preconceitos e criar uma resistência a uma proposta educacional renovadora.
. DISPONIBILIDADE PARA O DIÁLOGO: “O sujeito que se abre ao mundo e aos outros inaugura com seu gesto a relação dialógica em que se confirma como inquietação e curiosidade, como inconclusão em permanente movimento na História” (p.136).
A partir da atitude dialógica, o educador pode trocar experiências e conhecimentos com os educandos, tornando-se possível: superar desafios, estimular a curiosidade e diminuir a distância entre educador e educando.
. QUERER BEM AOS EDUCANDOS: “E o que dizer, mas, sobretudo o que esperar de mim, se, como professor, não me acho tomado por este outro saber, o de que preciso estar aberto ao gosto de querer bem, às vezes, à coragem de querer bem aos educandos e à própria prática educativa de que participo” (p.141).
Como desenvolver uma prática pedagógica-política, estritamente humana, sem que a afetividade esteja presente na relação educadorXeducando, porém, não deixando que essa afetividade ponha em risco a autoridade e propicie um ambiente desfavorável à produção de conhecimentos, impossibilitando assim, o desenvolvimento da autonomia de educadores e educandos.
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